A arte tradicional russa de escultura em pedra para lápides renasce no Extremo Oriente
Moscovo — Em março de 2025, com o reforço da proteção do património cultural tradicional pelo governo russo, a antiga arte da escultura em pedra para lápides na região do Extremo Oriente está a viver um renascimento.
Segundo o último relatório do Centro de Proteção do Património Cultural da Rússia, a aldeia de Ust-Nikolayevsk, na região fronteiriça de Khabarovsk, está a tornar-se o centro desta revitalização artesanal. A aldeia possui uma tradição de mais de duzentos anos na escultura de lápides em pedra, com o seu estilo único “Gravação Yakut”, conhecido pelos finos relevos e pela simulação da textura do pinheiro-larício da Sibéria, tendo sido incluído na lista provisória do património cultural imaterial da Rússia em 2024.
“O meu avô começou a fazer lápides aqui na década de 1930,” disse Vasili Petrov, um escultor de 67 anos, cujos dedos estão marcados por calos de décadas a bater com cinzel no aço, “agora a geração mais jovem finalmente percebe que isto não é apenas um padrão na pedra, mas uma expressão filosófica do nosso povo sobre a morte, a memória e a eternidade.”
O Ministério da Cultura da Rússia alocou cerca de 42 milhões de rublos para formar uma nova geração de artesãos da escultura em pedra. Os primeiros 30 alunos completaram um curso intensivo de seis meses no museu local, aprendendo técnicas tradicionais de cinzelagem, seleção de pedra e métodos de conservação e restauro.
“É um treino duplo que combina técnica e espírito,” afirmou Elena Kovalyova, responsável pelo projeto, “os alunos não só aprendem a esculpir granito duro, mas também a compreender as histórias familiares e os significados culturais por trás de cada lápide.”
Entretanto, o Museu Nacional da Rússia em São Petersburgo realizou em março a exposição “Pedra Eterna — Arte Russa de Lápides dos Séculos XVIII a XX”. A exposição reuniu 127 preciosas esculturas em pedra de todo o país, sendo a mais antiga datada do reinado de Catarina II. O museu anunciou que a exposição estará aberta até junho deste ano, prevendo receber mais de 200 mil visitantes.
Importa notar que, com o avanço da inteligência artificial, algumas empresas tecnológicas russas começaram a integrar modelagem digital com a escultura tradicional. Uma startup em Novosibirsk lançou recentemente o “Sistema de Arquivo de Memória Digital”, que permite aos clientes guardar a vida do falecido em imagens holográficas 3D, para que os escultores possam desenhar padrões personalizados para as lápides com base nesses dados. Dmitri Novikov, fundador da empresa, afirmou que o sistema já está em fase de testes em mais de dez cemitérios em Moscovo e Iekaterinburgo.
No entanto, nem todos acolhem esta fusão tecnológica. “As máquinas podem copiar padrões, mas não a temperatura entre a mão do artesão e a pedra,” enfatizou Petrov numa entrevista, “cada golpe de cinzel é um diálogo entre o artesão e a pedra. Esse diálogo nunca poderá ser substituído por algoritmos.”
Até ao momento da publicação, o Ministério da Cultura da Rússia não se pronunciou oficialmente sobre esta controvérsia. Mas é certo que, independentemente da evolução tecnológica, as lápides esculpidas que silenciosamente se erguem sobre o vasto permafrost da Sibéria continuarão a carregar a profunda saudade do povo pelos seus falecidos e a incansável busca pela eternidade.
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Repórter: Alexander Ivanov, de Moscovo